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23/10/2014

Estado da arte

Especialistas analisam rumos dos direitos humanos no mundo



Os direitos humanos ainda são vistos como uma linguagem efetiva para mudanças sociais? Quem as organizações de direitos humanos representam? Estariam as ONGs do Sul Global em posição privilegiada e com maior influência em fóruns internacionais? Como usar as novas tecnologias de comunicação para influenciar o ativismo?

Refletindo sobre estas e outras questões, consideradas chave para o movimento dos direitos humanos no século 21, 60 consagrados ativistas e acadêmicos de 18 países participam da 20ª edição da Revista SUR.

Com lançamento global e formato mais dinâmico, a SUR comemora seus 10 anos de publicação propondo-se a ser um roteiro contemporâneo para os defensores da causa.

Em 56 artigos, entrevistas e análises aprofundadas, organizados em seis seções, a Revista apresenta o estado da arte acerca dos debates sobre direitos humanos no mundo e busca indicar rumos possíveis para o movimento.

Como introdução, a publicação traz uma homenagem ao sociólogo Pedro Paulo Poppovic, fundador da SUR e um dos principais responsáveis para seu sucesso em todo o mundo.

Oscar Vilhena Vieira e Malak El Chichini Poppovic, diretores fundadores da Conectas, também abrem a Revista em artigo sobre representatividade, linguagem e uso da tecnologia, a partir de suas experiências em advocacy acumuladas ao longo de décadas.

Em Linguagem, o primeiro dos seis capítulos, Sara Burke questiona o que os protestos refletem sobre a eficácia dos direitos humanos como uma linguagem para mudanças sociais.

Ainda nesta categoria, uma entrevista com Raquel Rolnik, então relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada, revela as limitações do Sistema de Procedimentos Especiais (relatores e peritos) e por que ele está “projetado para ser ineficaz”. E Kumi Naidoo chama atenção para a necessidade de uma leitura mais crítica sobre o significado do Estado de Direito em um contexto de injustiça social para a maior parte da sociedade.

Poder econômico e responsabilidade corporativa para violações de direitos humanos são assuntos abordados por especialistas como Phil Bloomer na seção Temas, onde ainda estão presentes textos sobre direitos LGBTT, migração e justiça de transição.

Perspectivasengloba contextos de países específicos a partir da observação em campo de ativistas como Mandira Sharma, do NepalHaris Azhar, da Indonésia e Nicole Fritz, da África do Sul. Todos compartilham uma visão cética sobre a relação entre Litígio e opinião pública.

Uma profunda análise sobre a representação do movimento global de direitos humanos está contemplada em Vozes, na qual Juana Kweitel, diretora de programas da Conectas, aborda inovações nas formas adotadas por ONGs de prestar contas à sociedade e pensadores como Chris Grove enfatizam a necessidade de um vínculo entre Organizações Não Governamentais e grupos de baseFateh Azzam, por sua vez, questiona a necessidade de representar alguém e traz à tona críticas à dependência excessiva de doadores.

Mallika DuttNadia Rasul e outros especialistas debatem, na seção Ferramentaso papel da tecnologia na promoção de mudanças sociais no âmbito dos direitos humanos a partir dos riscos e oportunidades da Era Digital.

Finalmente, a Multipolaridade, termo que dá nome ao capítulo final, está representada através de contribuições dos chefes das lideranças das maiores organizações internacionais de direitos humanos em todo o mundo, como Kenneth Roth (Human Rights Watch), Lucia Nader (Conectas), Emilie M. Hafner-Burton (ILAR), Louise Arbour (ICG) e Selil Shetty (Anistia Internacional).

Em seus artigos, os especialistas desafiam as formas contemporâneas de pensamento sobre o poder no atual mundo multipolar que vivemos.

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