Voltar
-
22/06/2022

Conectas denuncia à ONU morte de Genivaldo e operação na Vila Cruzeiro

Organização aponta omissão sistemática do Estado brasileiro diante da letalidade das polícias

Ação de agentes da Polícia Rodoviária Federal que resultou na execução por sufocamento, à luz do dia e diante das câmeras, de Genivaldo de Jesus Santos, em Sergipe (Foto: Reprodução) Ação de agentes da Polícia Rodoviária Federal que resultou na execução por sufocamento, à luz do dia e diante das câmeras, de Genivaldo de Jesus Santos, em Sergipe (Foto: Reprodução)

A Conectas denunciou no Conselho de Direitos Humanos da ONU as violações cometidas por agentes de segurança na morte de Genivaldo de Jesus Santos, em Sergipe, e de pelo menos 26 pessoas em operação policial na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, casos ocorridos em maio deste ano. O pronunciamento foi realizado, nesta quarta-feira (22), durante a 50ª sessão do órgão das Nações Unidas, em Genebra (Suíça).

De acordo com a denúncia, o Brasil tem se omitido diante de casos gravíssimos de violência letal cometidos por agentes do Estado no passado e no presente. “Infelizmente, o governo brasileiro não tem feito nenhum esforço para combater essas práticas violadoras cometidas por seus agentes de segurança pública, pelo contrário, tais práticas têm sido endossadas pelas autoridades locais, incluindo o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou a organização durante o pronunciamento. 

A entidade pede que as autoridades brasileiras promovam políticas concretas contra o genocídio da população negra no país e que façam justiça aos atingidos pela violência policial e, por fim, que a ONU fique atenta ao agravamento da situação dos direitos humanos no Brasil.

Para o advogado Gabriel Sampaio, coordenador do Programa de Enfrentamento à Violência Institucional da Conectas, esses casos evidenciam como o desrespeito à vida e à dignidade humana, especialmente da população negra, são práticas comuns na atuação das forças policiais brasileiras. A falta de compromisso com investigações céleres e aprofundadas após a  letalidade policial tornam esse cenário ainda mais preocupante”.

Crimes de Maio

Nesse sentido, a Conectas também lembrou na ONU a omissão do Estado nos chamados Crimes de Maio, ocorridos em São Paulo há 16 anos, quando pelo menos 500 pessoas foram vitimadas em decorrência da ação de agentes de segurança pública. Até o momento, ainda há investigações e processos de reparação  às vítimas e  familiares pendentes de julgamento.

Assista o pronunciamento no Conselho de Direitos Humanos:

Informe-se

Receba por e-mail as atualizações da Conectas