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Ativistas da Birmânia (Mianmar) pedem que governo brasileiro apoie investigação da ONU sobre violações aos direitos humanos

Estupros por parte de forças militares, recrutamento de crianças como soldados, deslocamentos forçados, tortura e execuções sumárias estão entre as principais violações no país asiático

19/08/2011

 
São Paulo, 18 de agosto de 2011.
 
Em parceria com a Conectas Direitos Humanos, os defensores de direitos humanos da Birmânia (Mianmar) Ah Noh, da ONG Kachin Women’s Association Thailand, e Thaung Htun, do Burma Fund, estão em missão no Brasil entre os dias 22 e 26 de agosto.

Durante a estadia, irão se reunir com o Ministério das Relações Exteriores, a Secretaria de Direitos Humanos, a Assessoria Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República e a Câmara dos Deputados, em Brasília. Também estão previstos encontros com a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, organizações de direitos humanos, acadêmicos e sindicatos.

O objetivo da visita é dar visibilidade às graves violações aos direitos humanos que acontecem no país asiático e pedir o apoio do governo brasileiro para a criação de uma Comissão de Inquérito para a Birmânia durante a 65ª sessão da Assembleia Geral (AG) da ONU, que começa em setembro.

Apesar de tradicionalmente apoiar as resoluções da ONU sobre a Birmânia, o Brasil se absteve nas duas últimas resoluções sobre o país na AG em 2009 e 2010.  Segundo os ativistas, o apoio do Brasil à criação de uma comissão de inquérito da ONU é fundamental uma vez que o país ocupa posição de liderança entre as nações do Sul.

“Viemos pedir o apoio do Brasil, pois a criação de uma Comissão de Inquérito da ONU será fundamental para averiguar e tornar públicos os crimes e violações de direitos humanos, além de responsabilizar o governo birmanês pelos seus atos”, ressalta Thaung Htun. Para o ativista, a Comissão seria ainda decisiva para um futuro processo de reconciliação nacional.

 “O Brasil não pode fechar os olhos para as graves violações de direitos humanos que ocorrem na Birmânia, como a existência de 2 mil[1] pessoas presas no país por se oporem ao regime atual”,  completa Camila Asano, da Conectas. As forças militares birmaneses são também acusadas de estupros de mulheres de todas as idades e do recrutamento milhares de crianças soldados. A organização de Ah Noh, Kachin´s Womens’s Association Thailand, registrou 32 casos de estupros cometidos por soldados birmaneses em oito cidades durante os dois últimos meses. 

Na mesma semana em que os ativistas birmaneses estarão no Brasil, o relator da ONU para Birmânia, o argentino Tomas Ojea Quintana, visitará o país asiático para averiguar as denúncias de graves violações aos direitos humanos.

[1] Segundo Association for Assistance to Political Prisoners in Burma ( www.aappb.org).

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Biografia dos ativistas
 
Ah Noh: Graduada no Instituto Econômico Monywa, no Centro de Birmânia, mudou-se em 2007 para Tailândia para participar de um programa de formação e, posteriormente, para integrar a equipe da Kachin Women’s Association Thailand (KWAT). Em 2011, foi eleita vice-coordenadora da KWAT, e hoje coordena três programas: Construção de Competências, Migrantes e Programa Anti-Tráfico), além de promover atividades de advocacy pela organização.

Thaung Htun: Graduado no Instituto de Medicina de Birmânia, envolveu-se no movimento pró-democracia do país durante a insurreição nacional de 1998 como um dos líderes do Comitê de Greve do distrito de Kyaunggon, onde liderou manifestações pacíficas. Após o golpe militar de 1988, sua casa foi destruída duas vezes. Deixou a Birmânia para evitar sua prisão e se juntou a ativistas estudantis na fronteira com a Tailândia. Desde 1996, atuou junto ao National Coalition Government of the Union of Burma como representante para assuntos relativos às Nações Unidas. Em 2005, foi designado
diretor executivo para o Burma Fund. Desde então, trabalha para tornar internacionalmente públicas as atuais condições de direitos humanos na Birmânia. 
 
Contatos para imprensa
 
Camila Asano – Projeto de Política Externa e Direitos Humanos
camila.asano@conectas.org
11 3884-7440    11 9898-3226
 
Natália Suzuki – Comunicação
natalia.suzuki@conectas.org
11 3884-7440    11 9355-8574

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