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Conflito desenfreado

Organizações demandam investigação independente sobre violações no Iêmen

24/10/2017 armas iêmen tratado sobre o comércio de armas

Desde 2015, o Iêmen vive imerso num conflito civil que já vitimou cerca de 5 mil pessoas e feriu outras 8 mil. Diante da série de violações de direitos humanos no país, entidades de todo o mundo pedem que o Conselho de Direitos Humanos da ONU institua uma investigação independente e internacional para averiguar os abusos cometidos contra a população iemenita.

Pelo menos sete milhões de pessoas estão à beira da fome no país e centenas de milhares sofrem de cólera. Neste contexto, os dois lados envolvidos no conflito têm perseguido, detido arbitrariamente e provocado desaparecimentos forçados de ativistas iemenitas, defensores de direitos humanos e jornalistas, dificultando a atuação de grupos da sociedade civil e meios de comunicação.

Além disso, ambos os lados usaram armas amplamente proibidas que podem pôr em perigo a população civil mesmo após o término do conflito. Foram usados pelo menos sete tipos de munições de fragmentação, inclusive as munições cluster fabricadas por empresas brasileiras. Em 2016, descobriu-se que armas brasileiras da marca Taurus, maior fabricante de revólveres do mundo, foram enviadas ilegalmente ao Iêmen.

“As vítimas de abusos no Iêmen não podem aguardar mais tempo para investigações críveis sobre violações e abusos graves em curso”, afirmam as entidades.

Durante dois anos, o Alto Comissário, Zeid Ra’ad Al Hussein, tem solicitado uma investigação internacional independente sobre os conflitos. O lado de Houthi-Saleh (aliança entre o ex-presidente Ali Abdullah Saleh e o movimento Zaidi Shia Houthi), no entanto, se recusou publicamente a cooperar com a Comissão Nacional do Iêmen ou com o ACNUDH (Alto Comissariado para Direitos Humanos) na implementação da resolução.

Em março de 2017, o Alto Comissário adjunto manifestou sua preocupação com a Comissão Nacional, observando que não cumpriu os padrões de metodologia e a imparcialidade internacionalmente reconhecidos e "ainda não esclareceu como seu trabalho poderia facilitar mecanismos viáveis de responsabilização".

A carta enviada ao Conselho de Direitos Humanos foi assinada pela Conectas e outras 55 entidades da sociedade civil de todo o mundo.

> Leia a íntegra do pedido aqui.

 
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