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Luta inspiradora

Antônia Melo, histórica defensora ambiental do Xingu, recebe prêmio da Fundação Alexander Soros

10/10/2017 antonia melo belo monte caio borges xingu vivo

Antônia Melo da Silva, ativista ambiental brasileira historicamente reconhecida pelo seu trabalho enquanto coordenadora geral do Movimento Xingu Vivo para Sempre, recebeu, nesta terça-feira, 10, o prêmio da Fundação Alex Soros para ativistas ambientais e dos direitos humanos.

A premiação é uma homenagem ao seu papel inspirador liderando campanhas para impedir a construção da barragem de Belo Monte e outros projetos de infraestrutura que causam danos à região amazônica. Com a construção da barragem já em andamento, ela agora pressiona as autoridades por reparações para as comunidades que o projeto expulsou de suas terras, na região do Xingu – localizado no estado do Pará.

“O complexo de Belo Monte é um projeto de destruição”, disse Antônia Melo da Silva. “A usina traz morte para a flora, a fauna, e incontáveis culturas de povos tradicionais e indígenas que vivem na bacia do Xingu. Nossa comunidade enfrenta um aumento da violência, do desemprego e da miséria pela ganância do governo e um grupo de empresários que querem explorar nossas terras e rios por lucros. Eu dediquei minha vida a lutar contra esse projeto, e mesmo que ele tenha ido adiante, eu continuarei lutando contra o que Belo Monte representa:
um modelo de desenvolvimento destrutivo, insustentável e inviável."
 
Há duas décadas, Antônia Melo, mãe de cinco filhos, fundou o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, um coletivo de organizações sociais e ambientais localizado em Altamira – região do Brasil impactada pelo projeto da Hidrelétrica de Belo Monte. O movimento incorpora os grupos unidos em oposição à hidrelétrica, incluindo as comunidades ribeirinhas, pescadores, trabalhadores rurais, indígenas e organizações religiosas e de mulheres.
 
O Xingo Vivo Para Sempre também estabeleceu conexões com movimentos de outros trechos de rios amazônicos brasileiros e de países fronteiriços. Através dessas alianças, o povo indígena Munduruku obteve sucesso na suspensão dos planos governamentais de construir uma mega usina no Rio Tapajós.

Belo Monte
 
O projeto de Belo Monte foi proposto inicialmente em 1975, mas a licença para construir o complexo – que é a terceira maior usina hidrelétrica do mundo – foi concedida apenas em junho de 2011. Quando a construção estiver completa, em 2019, o complexo conterá três usinas e diversos diques, criando o Reservatório Calha do Xingu, que terá a capacidade para mais de 2 bilhões de metros cúbicos e uma área de aproximadamente 336 quilômetros quadrados. No entanto, o complexo da usina irá alagar uma área de aproximadamente 389 quilômetros quadrados de floresta amazônica, dizimar áreas de pesca que alimentam e sustentam as comunidades ribeirinhas e causar o deslocamento de 40.000 pessoas. 

Em cidades próximas de Belo Monte, os níveis de violência, exploração sexual infantil e tráfico de pessoas saltaram de forma exponencial, devido ao fato da região não ter sido preparada para receber o grande fluxo de trabalhadores trazidos pela construção da usina.
 
Para Caio Borges, coordendor de Empresas e Direitos Humanos da Conectas, “Antônia Melo é uma liderança para os povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela enfrentou ameaças, perdas e resistências de todas as formas, e mesmo assim continuou firme em sua luta que já perdura décadas”.
 
“Como um resultado da luta liderada por ela contra Belo Monte, houve uma enorme conscientização pública o debate no Brasil acerca das consequências sociais, ambientais e econômicas das grandes usinas no contexto amazônico – e dos enormes esquemas de corrupção que envolvem a construção dessas usinas. Ela é uma das heroínas dos direitos ambientais e humanos, e eu acho que ninguém merece mais o prêmio do que ela”.
 
O Prêmio
 
O Prêmio Fundação Alexander Soros para o Ativismo Ambiental e de Direitos Humanos, que reconhece anualmente ativistas que trabalham no âmbito do ambientalismo e dos direitos humanos, é escolhido por um comitê de nomeação composto pelo co-fundador da Global Witness, Patrick Alley; a Primeira Presidente dos Direitos Humanos, Elisa Massimino; o estudioso dos direitos humanos Aryeh Neier; o Diretor-Executivo da Human Rights Watch Kenneth Roth e o advogado William Zabel. Antônia é a sexta pessoa a receber a premiação.
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