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Nunca fomos modernos

Um dos maiores desafios contra o aquecimento global é demonstrar às pessoas que todos serão afetados

05/10/2017 15 colóquio aquecimento global mudança climática pastora nancy tessa khan

Por Fidel Forato*


O aquecimento global e suas implicações são questões importantes em nível global, mas no Brasil, a discussão ainda não é popular. “Nós nunca fomos modernos. A modernidade fez promessas e não as cumpriu” é o que argumenta  a pastora Nancy Cardoso, da Comissão Pastoral da Terra.

Em palestra sobre a formação de alianças no contexto de Mudanças Climáticas, realizada nesta quinta-feira, 5, durante o 15º Colóquio Internacional de Direitos Humanos, Cardoso pontua que “saímos do século 19 e atravessamos o século 20 com promessas de liberdade, igualdade e fraternidade, mas a modernidade que nos foi entregue é desigual, precária e incapaz de acessar os reais problemas do povo brasileiro”.

Para a pastora, algumas pessoas ainda acreditam que desastres climáticos são desígnios divinos.  “Você tem um campo da população que está navegando nesse campo imaginário, nesse imaginário selvagem e bruto, de que o furacão é a mão de Deus contra os homossexuais ou que um terremoto é a mão de Deus contra as feministas”. Mas na realidade, o ponto é que as alterações climáticas irão impactar, de maneira brusca, o estilo de vida de milhares de brasileiros e isso pode ser impedido.
Pastora Nancy e Tessa Kahn falam sobre a formação de alianças no contexto das mudanças climáticas
Enquanto a discussão sobre os efeitos do aquecimento global batalha por espaço na agenda pública, as consequências desse fenômeno já causam transtornos aos países periféricos. “Algumas pessoas vão sofrer o impacto das mudanças climáticas muito antes e de forma mais intensa do que outras, principalmente, mulheres, crianças, comunidades tradicionais e todos aqueles que dependem da terra e de recursos naturais”, afirmou a advogada Tessa Khan, da Climate Ligitation Network, que dividiu a mesa com a pastora.

A advogada salienta que aqueles que contribuíram menos para a atual situação, serão os que mais irão sofrer. Khan explica que “os países do Norte são os que serão os maiores protegidos das mudanças climáticas, mas são eles os maiores responsáveis pelas emissões de carbono e pelo aquecimento global”.

Tessa salienta que a mudança de comportamento não deve vir apenas dos ativistas e defensores, mas o movimento que luta contra o aquecimento global deve engajar também o Estado e a sociedade civil como um todo. Para ela, só com o envolvimento da base é que serão alcançadas as mudanças necessárias para frear o fenômeno de mudança climática.

Sobre o Colóquio

Entre os dias 2 e 6 de outubro, 80 ativistas de direitos humanos de 31 países estarão reunidos em São Paulo para o 15o Colóquio Internacional de Direitos Humanos. Com uma programação intensa, o objetivo do evento é debater o tema “Direitos Humanos: crise ou transição?”, compartilhar experiências e propor soluções para enfrentar quadros de retrocessos em escala local, regional e global.

Neste ano, a Conectas organiza o encontro junto com Forum Asia (Tailândia), o Centro de Direitos Humanos da Universidade de Pretória (África do Sul) e o DeJusticia (Colômbia). A realização do evento conta com o apoio de Ford Foundation, OAK Foundation, Open Society Foundations, Channel Foundation e The Fund For Global Human Rights. Agradecemos também a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o Memorial da Resistência, a APAC (Associação Pinacoteca Arte e Cultura), o Museu da Imigração e o governo do Estado de São Paulo, que cederam espaço para a realização de alguns dos encontros.


*Fidel Forato é jornalista voluntário do grupo de cobertura do 15o Colóquio Internacional de Direitos Humanos
 

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