Conectas Direitos Humanos e os ativistas iranianos Hadi Ghaemi e Parvin Ardalan participaram de reuniões com autoridades brasileiras
São Paulo, 24 de fevereiro de 2011
Conectas Direitos Humanos e os ativistas iranianos, Hadi Ghaemi e Parvin Ardalan, estão otimistas em relação à posição que o Brasil pode assumir na 16ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH), que acontecerá entre 28 de fevereiro e 25 de março, em Genebra (Suíça).
Após as reuniões com o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, com a embaixadora Vera Lúcia Barrouin Crivano Machado do Ministério das Relações Exteriores e com a Assessoria Internacional da Secretaria de Direitos Humanos, os ativistas acreditam que o governo brasileiro irá apoiar a resolução do CDH que criaria um mandato para um Relator Especial para o Irã. O relator seria responsável por reportar as informações sobre a situação de direitos humanos, além de receber denúncias e cobrar esclarecimentos das autoridades sobre as violações.
"Acreditamos que o Brasil está preocupado com a proteção de direitos humanos no âmbito internacional. O posicionamento do país na ONU é muito importante, porque ele pode influenciar outros países da América Latina a apoiarem o tratamento multilateral de crises de direitos humanos no mundo, incluindo o Irã", afirma Ghaemi diretor executivo
Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã"Em 2010, 542 pessoas foram submetidas à pena de morte no Irã e em 2011 já ocorreram 111 execuções, 1a cada 8 horas. Acreditamos que a criação de um relator especial da ONU, ajudaria a reverter esse quadro, bem como inibiria outros tipos de violações como aquelas cometidas contra as mulheres", diz Ardalan, uma das criadoras da campanha "
Um Milhão de Assinaturas" sobre os direitos das mulheres no país.
Além de se reunir com autoridades brasileiras e parlamentares da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, os ativistas se encontraram com ONGs de direitos humanos, acadêmicos e a Organização dos Advogados do Brasil - OAB-SP.
"Os ativistas iranianos vieram ao Brasil não só para pedir ao governo que apoie a resolução na ONU, mas também para criar pontes de solidariedade em diferentes segmentos da sociedade brasileira com a sociedade iraniana. Pudemos conhecer melhor a alarmante situação e algumas iniciativas concretas surgiram, como a proposta de uma missão de deputados brasileiros para visitar o Irã", conta Camila Asano, representante da Conectas.
Cabe lembrar que historicamente o Brasil se abstém em resoluções da Assembleia Geral da ONU que condenam violações aos direitos humanos no Irã. O apoio a uma resolução do Conselho de Direitos Humanos seria um sinal positivo da política externa da presidente Dilma.
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Rui Santos - assessoria de imprensa da Conectas
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Foto: sala do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra (Suíça)