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27/06/2018

ONGs denunciam na ONU operação policial na Maré

Velório do adolescente Marcus Vinicius da Silva, baleado durante operação da policia Civil no Complexo da Maré, (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil) Velório do adolescente Marcus Vinicius da Silva, baleado durante operação da policia Civil no Complexo da Maré, (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil)

A operação da polícia civil e das Forcas Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, na semana passada, e que resultou na morte de sete pessoas, incluindo o estudante Marcos Vinícius, de 14 anos, foi alvo de denúncia realizada nesta quarta-feira, 27, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Em pronunciamento oral, Conectas e Redes da Maré expuseram os detalhes da operação realizada com a ajuda de três veículos blindados e um helicóptero que atirou indiscriminadamente do céu. Os tiros atingiram ruas, casas e uma escola. Além de matar Marcos Vinícius, que estava voltando da escola, outros seis jovens foram executados, segundo testemunhas – três deles tiveram seus corpos jogados do terceiro andar de um prédio.

“Esta vergonhosa operação reflete o atual processo de militarização no Brasil. Estamos vivendo um crescente uso de forças militares na função de polícia. Entre 2010 e 2017, 44 decretos presidenciais autorizaram o uso das Forças Armadas na segurança pública. Dezessete delas no Rio de Janeiro, um Estado que desde fevereiro está sob a intervenção federal de caráter militar inconstitucional em sua segurança pública”, disseram as organizações em pronunciamento.

De acordo com Lidiane Malanquini – coordenadora do eixo de segurança pública e acesso à justiça da Redes da Maré, a operação realizada na semana passada é um exemplo do processo de militarização da segurança pública e de violência contra a população das favelas.

“Esse processo está marcado pela ideia de que nas favelas existe um exército inimigo a ser combatido, de que ali não existem cidadãos e que, por isso, a violência é justificada. Para além do absurdo do uso de veículos blindados, tiros disparados de um helicóptero indistintamente e execução de jovens, está a negação dos direitos fundamentais da população periférica”, declarou. “Ou repensamos a lógica da guerra às drogas e as práticas atuais da segurança pública, ou casos como esse continuarão frequentes”, finalizou.

Em resposta do Estado brasileiro, o ministro João Lucas Quental disse que o Brasil está consternado pela morte do adolescente Marcos Vinícius e que a cidade do Rio declarou três dias de luto oficial.

“As investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro sobre sua morte e de outros indivíduos já estão em andamento (…), a reconstituição deve ocorrer para esclarecer os termos e circunstâncias que envolvem o tiroteio que matou Marcos Vinícius. Defensores públicos do Rio de Janeiro estão acompanhando de perto o caso”, declarou Quental.

 

ONU se manifesta

Em nota divulgada na tarde de ontem, 26, o sistema ONU lamentou a morte de Marcos Vinícius e criticou o alto número de homicídios de adolescentes no Brasil. De acordo com a organização, no Brasil 31 crianças e adolescentes são mortas por dia, “o maior número absoluto de homicídios de adolescentes no mundo”.

“É inadmissível que a trajetória de vida de adolescentes, como Marcos Vinícius da Silva e tantos outros, seja interrompida de forma violenta, gerando consequências tão graves quanto permanentes para outras crianças e adolescentes, suas famílias, suas comunidades e a sociedade brasileira.”

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