06/04/12
Presidenta faz visita oficial aos Estados Unidos entre segunda e quarta-feiras próximas
São Paulo - A Conectas Direitos Humanos, organização internacional não-governamental, enviou carta hoje (6) à presidenta Dilma Rousseff solicitando que assuntos relacionados aos direitos humanos sejam incluídos na pauta das conversas com o presidente norte-americano Barack Obama, com quem se encontrará entre segunda e quarta-feiras próximas nos Estados Unidos.
"O Brasil só poderá contribuir para a construção de uma ordem internacional mais democrática, justa e, principalmente, respeitosa aos direitos humanos, a partir do diálogo franco, não seletivo e construtivo sobre questões sensíveis que vão além das relações econômicas e comerciais", diz a carta.
A organização pede que Dilma cobre de Obama coerência com promessas de campanha, como a do fechamento da prisão de Guantánamo - pivô de disputas internas entre o Executivo e o Congresso americano. "O presidente Obama deve explicações sobre as razões de tal descumprimento e sobre que medidas estão sendo tomadas acerca do tema, não apenas aos cidadãos americanos", diz a nota.
"Considerando o papel que ocupa e ambiciona ocupar no cenário internacional, é imprescindível que o Brasil exerça sua política externa com base em princípios e valores, com a prevalência dos direitos humanos, como definido no artigo 4º, II da Constituição Federal", diz o texto.
Segundo a Conectas, Dilma também deve falar sobre a necessidade de ratificação pelos Estados Unidos de instrumentos internacionais e regionais de direitos humanos.
A Conectas afirma que ainda estão pendentes de ratificação o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, Direitos das Crianças, Convencão sobre os Direitos dos Trabalhadores Migrantes e suas Famílias, Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Convenção Internacional para Proteção de todas as Pessoas Contra o Desaparecimento Forçado.
"Vemos todos os dias como os países defendem com audácia e firmeza pontos de vista a respeito de importantes assuntos comerciais em suas relações internacionais. Gostaríamos de ver a mesma disposição para defender questões de direitos humanos que têm um impacto profundo na vida de milhares de pessoas", disse Lucia Nader, diretora executiva da Conectas.